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FERRAMENTAS: Zotero – a próxima geração

Longe vai o tempo em que a vantagem de um documento electrónico face à sua versão em papel se resumia à maior acessibilidade e facilidade de difusão. Hoje, multiplicam-se as possibilidades de proceder à recuperação e processamento automático da informação através da adequada anotação semântica dos textos em suporte electrónico. Deixou de ser inevitável a separação entre os objectos documentais e a sua descrição bibliográfica, que reflectia a tradicional separação entre as estantes e os catálogos de livros. Hoje a base de dados bibliográfica tanto pode estar separada como contida nos próprios documentos.

Os programas tradicionais de gestão de bibliografias resultam de um modelo do passado. Primeiro, foram criados para substituir as fichas em cartolina e permitir o processamento automático da informação nelas contida. Depois, alargaram a sua esfera de acção à recuperação de informação electrónica dos catálogos de bibliotecas e das bases de dados. Contudo, mostraram sempre pouca capacidade para lidar com os documentos electrónicos que não tinham uma versão equivalente em papel.

Zotero – A “ferramenta de pesquisa da próxima geração”.


Zotero vem precisamente brilhar onde estes programas falham. Ele é simultaneamente um programa de gestão de bibliografias e de notas de leitura, algo que não é tão frequente como seria de esperar no panorama geral desta categoria de software. Mas não se limita a manter uma base de dados: integra directamente e automatiza a sua recolha com a própria consulta online de bases de dados, de catálogos e dos próprios documentos, a partir do browser de navegação na Internet. A informação armazenada pode ser organizada em colecções (com uma estrutura arborescente), classificada com tags, ligada interna e externamente com documentos em vários formatos (pdf, html, etc.), armazenados localmente ou com páginas na web. O conteúdo de páginas inteiras pode ser igualmente armazenado pelo Zotero.

A partir da mesma informação podem ser produzidas bibliografias, com as referências formatadas em vários estilos (APA, Chicago e MLA), e relatórios contendo as referências bibliográficas juntamente com o conteúdo das notas a elas ligadas. Na realidade, o Zotero funciona on e off line como um gestor de bibliografias e notas, permitindo a importação e a exportação de informação bibliográfica em vários formatos (MODS, BibTeX, MARC, RDF, RIS e outros).

A ergonomia do programa é apreciável. O Zotero pode ser chamado a qualquer momento, clicando numa etiqueta existente na barra de estado do browser. Mas para gravar a informação bibliográfica nem isso é necessário. Basta clicar num ícone, frequentemente com a representação de um livro, que surge automaticamente na barra de navegação, sempre que a página contém anotações com informação bibliográfica. Diferentes ícones indicam a presença de distintos tipos de informação e só aparecem quando esta existe. Se a página contiver informação respeitante a mais de uma fonte, é dada a opção de escolher qual ou quais o utilizador pretende gravar. A dimensão ocupada na janela pelas diferentes secções do Zotero pode ser livremente reajustada. Existe mesmo um modo de tela inteira que facilita o trabalho com o programa quando não é necessária a navegação com o browser.

Página: Zotero – The next-generation research tool

Zotero foi desenvolvido por uma equipa de investigadores ligados a um centro de história digital, o Center for History and New Media da George Mason University: Daniel J. Cohen, Josh Greenberg, Dan Stillman, Simon Kornblith e David Norton e Roy Rosenzweig. Sobre este Centro, já aqui falámos a 24 de Maio de 2005 a propósito do Echo – Exploring and Collecting History Online e do software Scribe. Daniel Cohen e Roy Rosenzweig são os autores de Digital History: A Guide to Gathering, Preserving, and Presenting the Past on the Web. University of Pennsylvania Press, 2005.

Uma extensão do Firefox

Zotero é uma extensão do browser Mozilla Firefox e como este é software livre e open source. É naturalmente multi-plataforma, correndo em Windows, Linux, e Mac OS X, como o próprio Firefox. Quem pretender utilizá-lo terá que instalar ou actualizar o Firefox para a versão 2, o que pode ser feito de forma livre e gratuita no endereço:

http://en-us.www.mozilla.com/en-US/firefox/all.html

O Mozilla Firefox é actualmente o navegador de eleição para o trabalho académico na Web. O Zotero é uma das muitas extensões disponíveis para a investigação. Outra das nossas favoritas é o ScrapBook, de que trataremos numa próxima postagem.

Criar páginas que falem zotero

O número de locais compatíveis e serviços que já comunicam com o Zotero é impressionante. Incluem bases de dados (como a PubMed), bibliotecas, repositórios (como o arXiv.org), harvesters (como o Google Books e o Google Scholar), editores e distribuidores de publicações electrónicas (como o JSTOR) e mesmo serviços de venda de livros (como a Amazon.com).

Para além do desenvolvimento do próprio Zotero, a equipa do CHNM tem vindo a procurar alargar esta lista, apoiando a criação de ferramentas para que a informação na Internet seja devidamente anotada, de forma a ser reconhecida pela extensão do Firefox. Uma dessas ferramentas é um plugin para o software de publicação de blogs WordPress. Este plugin permite ao Zotero detectar vários meta-dados bibliográficos das entradas do blog, como o título, o autor, a data e os descritores.

A técnica utilizada pelo plugin consiste em embeber uma etiqueta COinS em cada postagem do blog. COinS — ou Context Objects in Spans — é um standard para incluir informação bibliográfica em páginas web, podendo ser lida por vários outros programas. Na realidade, esta técnica pode ser estendida a todo o tipo de páginas, utilizando o COinS generator, uma ferramenta que produz uma etiqueta ‘COinS’ a partir da informação bibliográfica. Esta tag pode ser introduzida manualmente em qualquer página.

O mesmo objectivo pode ser conseguido com outras ferramentas, como o Dublin Core Metadata Editor, que cria etiquetas DC para páginas web, as quais também podem ser lidas pelo Zotero.

Repositório de História e Filosofia das Ciências no Instituto Rocha Cabral

A Secção de História e Filosofia das Ciências do Instituto Rocha Cabral colocou online o seu repositório de publicações.

De momento já se encontram disponíveis os textos integrais dos artigos da autoria dos membros da Secção publicados nos volumes 1 e 3 da série Opuscula officinara. O volume 2, por corresponder a uma única obra, não ficará, pelo menos por enquanto, disponível.

Somos adeptos de uma política de Acesso Livre à literatura científica, pelo que disponibilizaremos no nosso Repositório todas as publicações científicas da secção ou dos seus membros, desde que para tal não exista qualquer impedimento legal, resultante de compromissos assumidos com as respectivas editoras.

O endereço do repositório é: http://www.ircabral.org/repositorio/

Ele faz parte da reformulada página da secção em http://www.ircabral.org/shfc/

Alguns repositórios de publicações em História e Filosofia das Ciências

A disponibilização de artigos e outros textos em Acesso Livre constitui hoje uma das principais formas como a comunidade dos investigadores pode defender o carácter público e aberto do conhecimento científico. Os quatro repositórios a seguir indicados têm características muito distintas, mas partilham entre si o facto de estarem ligados à história e filosofia das ciências e de, apesar das suas diferenças, utilizarem o mesmo software livre (GNU EPrints) para gerir e manter a sua infra-estrutura:
1. PhilSci Archive ou PITTPHILSCI é um arquivo electrónico de preprints em filosofia da ciência, que já conta com mais de 1.100 documentos. É mantido pela Philosophy of Science Association, pelo Centro de Filosofia da Ciência e pela Biblioteca da Universidade de Pittsburgh (EUA).

2. HTP Prints é outro arquivo disciplinar, neste caso dedicado à história e teoria da psicologia. Mantido pelo respectivo programa da York University (Toronto, Canadá)

3. Caltech Archives Oral Histories Online é um repositório de transcrições de entrevistas com membros da comunidade de docentes e investigadores ligados à Caltech e pertencentes a várias disciplinas.

4. Canadian Bulletin of Medical History / Bulletin canadien d’histoire de la médecine é um repositório em acesso livre de todos os artigos publicados numa única revista.

Wellcome Library Newsletter


A Wellcome Library, a melhor biblioteca europeia de história da medicina, fez sair mais um número (Agosto de 2006) da sua Library Newsletter . Destaque para a correspondência do explorador, médico e missionário David Livingstone (1813-1873), disponível em: Livingstone Online.

Farmacopolítica

Postos recentemente em destaque pelo filme “O Fiel Jardineiro”, baseado no romance homónimo de John le Carré, os ensaios clínicos levados a cabo pela indústria farmacêutica constituem um tópico central da política de regulação de medicamentos. Esta é o objecto do livro de Arthur A. Daemmrich. Pharmacopolitics: Drug Regulation in the United States and Germany, publicado pela University of North Carolina Press em 2004 e que recebeu em 2006 o Edward Kremers Award, do American Institute for the History of Pharmacy.

Arthur Daemmrich é desde 2005 o director do recém criado Center for Contemporary History and Policy da Chemical Heritage Foundation.

Do livro, é possível ler na Net:

Conteúdo
Introdução

Arthur A. Daemmrich. Pharmacopolitics: Drug Regulation in the United States and Germany. Studies in Social Medicine Series. Chapel Hill and London: University of North Carolina Press, 2004. xi + 203 pp. ISBN 0-8078-2844-0.

Recensões deste livro:

Por Robert P. Stephens, na H-Net.

Por Janice M. Reichert, no New England Journal of Medicine.

Por Carsten Timmermann, no Journal of the History of Medicine and Allied Sciences. 61,1(2006)103-105.

Do mesmo autor, ler na Net:

Arthur Daemmrich, Mary Ellen Bowden. A Rising Drug Industry. Chemical & Engineering News. Special Issue. The Top Pharmaceuticals That Changed The World. Vol. 83, Issue 25 (20/06/2005).

The Rutherford Journal


The Rutherford Journal é uma revista de história e filosofia da ciência e da tecnologia publicada electronicamente na Nova Zelândia pelo Departamento de Filosofia da Universidade de Canterbury. A revista é dedicada a Ernest Rutherford, que nasceu e estudou na Nova Zelândia, antes de partir para a Inglaterra em 1895, para estudar como pós-graduado no Cavendish Laboratory em Cambridge. O Volume 1 saiu em Dezembro de 2005 e inclui artigos sobre história da física, da química, da biologia, da matemática, da informática e de outros aspectos da história da tecnologia. A revista encontra-se livremente disponível em: http://www.rutherfordjournal.org/

A Mente de Leonardo

Na maré da leonardomania, desencadeada pelo famigerado “Código D.”, é bom podermos contar com algumas iniciativas de qualidade. Uma delas veio do Istituto e Museo di Storia della Scienza [IMSS], fundado em 1927 por iniciativa da Universidade de Florença. É uma exposição nesta cidade, na Galleria degli Uffizi, disponível na Net, com o título:

La mente di Leonardo – Nel laboratorio del Genio Universale (em italiano)

The Mind of Leonardo – the Universal Genius at Work (em inglês)

Como o subtítulo indica, a exposição visa ‘explorar o trabalho e os processos do “Génio Universal “‘. A exposição, dividida em seis secções, inclui texto, imagens, reconstruções e animações em vídeo. É pena que a dimensão das imagens disponíveis seja tão reduzida, mas esta característica traduz-se numa maior velocidade de transferência de dados.

CONTEÚDOS: Apelo à colaboração na Wikipédia


Quem tenha seguido os últimos posts deste blog, certamente reparou que afixei aqui alguma da colaboração enviada para a Wikipédia lusófona. Este post é um apelo para que outros investigadores colaborem neste projecto de enciclopédia livre e aberta.
A Internet em geral e a Wikipédia em particular tornou-se um repositório de informação utilizado sistematicamente como referência por alunos de pré-graduação de todas as universidades. Essa utilização é frequentemente feita de forma acrítica e sem critério. Ignorá-la é um erro. Encará-la apenas de forma negativa continua a ser um erro.

Alguma história recente

A dimensão da importância da Wikipédia levou alguns professores a utilizá-la no processo de aprendizagem. O resultado de uma dessas experiências foi descrita no postWhither Wiki?“, afixado pelo historiador T. Mills Kelly no edwired em 14 de Dezembro do ano passado[1]. Um ponto alto da atenção prestada à Wikipédia teve lugar precisamente no mesmo dia do post anterior, quando a revista Nature publicou um artigo de Jim Giles, “Internet encyclopaedias go head to head“, descrevendo os resultados (algo surpreendentes) de um estudo comparativo com a Encyclopedia Britannica[2]. Entre outros pontos destacados no artigo de Giles, conta-se o apelo dos organizadores da Wikipédia aos cientistas, para melhorarem o conteúdo da enciclopédia livre. No âmbito da história da ciência, este apelo não deixou de dar os seus frutos. A 15 de Janeiro de 2006, o utilizador Ragesoss (Sage Ross, um estudante de pós-graduação do Programa de História da Medicina e da Ciência da Yale University) iniciou o WikiProject History of Science com a finalidade de melhorar o conteúdo em história da ciência da Wikipédia[3]. Este projecto, que conta neste momento com mais de duas dezenas e meia de colaboradores inscritos, veio dar novo fôlego ao History of Science Portal, iniciado em 27 de Março de 2005 pelo utilizador Ancheta Wis[4].

Argumentos

Vou só resumir algumas observações que me parecem pertinentes:

  1. Sobre o conteúdo. O conteúdo da Wikipédia depende dos colaboradores. Dadas as suas características (os contributos podem ser livremente modificados e só são assinados no log do histórico das revisões), é compreensível que os investigadores não se sintam atraídos a escrever artigos de propósito para a Wikipédia. Contudo, nada os impede de adaptar e resumir textos anteriormente publicados, em papel ou na Net. Se os textos são da nossa autoria, somos livres de os editar para a publicação na Wikipédia. O log do histórico e uma citação da nossa fonte na bibliografia e/ou nos links do artigo é o bastante para defender a autoria (não a propriedade) intelectual. É um esforço mínimo, com largos resultados.
  2. Para além do conteúdo. A participação no projecto da Wikipédia é (para todos, incluindo nós próprios) não só uma experiência de conhecimento e de comunicação, mas também de cidadania, de respeito pelos outros, de tolerância, de empenhamento e de colaboração num contexto inter-(cultural e nacional), que vale por si só como uma importante ferramenta de ensino e de formação. O envolvimento, activo e acompanhado, de alunos de pré e pós-graduação neste projecto pode constituir uma importante acção formativa. Aquilo que poderia parecer um ponto fraco do projecto (a livre edição) torna-se aqui um ponto forte. A correcção de artigos existentes e a redacção de novos artigos, a sua discussão com professores e orientadores e a subsequente reedição na Wikipédia, são tarefas formativas dinâmicas, onde o estudante sente que está a fazer algo útil, produtivo, sujeito ao escrutínio público e com consequências.
  3. A experiência. A metodologia (e a tecnologia) subjacente à Wikipédia pode ser aplicada a outros projectos. Estou a pensar concretamente na sua aplicação em contextos temáticos e com grupos de autores mais restritos: Uma enciclopédia temática redigida por um grupo de colaboração composto por especialistas numa dada área, em que só entram novos membros através do convite de um ou mais dos participantes. Uma experiência dinâmica de produção e validação de conhecimento através de um processo permanente de revisão e crítica entre pares.

Ferramentas apoio

Para dar corpo a este apelo, decidimos seguir o exemplo de Ancheta Wis e Sage Ross e pôr de pé duas infraestruturas de colaboração no âmbito da história da ciência na Wikipédia lusófona: o Portal de História da ciência e o WikiProjecto de História da ciência. A primeira serve para organizar e dar alguma orientação para a consulta dos artigos sobre história da ciência, da medicina e da tecnologia. A segunda, o WikiProjecto de História da ciência visa criar e melhorar o conteúdo relacionado com a história da ciência (considerada com um significado amplo, onde também se incluem a história da medicina, a história da tecnologia, a história da matemática e os aspectos históricos da filosofia da ciência). Este projecto também procura assegurar a manutenção do Portal de História da ciência e melhorar a classificação e categorização dos artigos com ele relacionados. A página do projecto inclui várias ideias (passíveis de serem melhoradas) sobre o que pode ser feito.

A lista de participantes do projecto ainda só tem um nome (adivinhem qual), mas este apelo visa precisamente aumentar o seu número. Se pretender colaborar, registe-se na Wikipédia e junte o seu nome à lista de participantes na página do projecto. Não deixe igualmente de participar na sua página de discussão. Claro, que também pode dar a sua colaboração para a Wikipédia sem participar directamente no WikiProjecto.

Mesmo que não queira participar ou colaborar de alguma forma, esperamos que este apelo tenha servido para o sensibilizar para a necessidade de dar alguma atenção à Wikipédia.

Notas

[1] T. Mills Kelly. “Whither Wiki?”. edwired. A website devoted to the teaching and learning of history online. Posted 14 Dez. 2005. http://chnm.gmu.edu/history/faculty/kelly/blogs/edwired/archives/2005/12/whither_wiki.html
[2] Jim Giles. “Internet encyclopaedias go head to head”. Nature. Publ. online 14 Dez. 2005. http://www.nature.com/news/2005/051212/full/438900a.html
[3] WikiProject History of Science. Wikipedia. English version. http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:WikiProject_History_of_Science
[4] Portal:History of science. Wikipedia. English version. http://en.wikipedia.org/wiki/Portal:History_of_science
[5] Portal de História da ciência. Wikipédia, a enciclopédia livre. http://pt.wikipedia.org/wiki/Portal:Hist%C3%B3ria_da_ci%C3%AAncia
[6] WikiProjecto de História da ciência. Wikipédia, a enciclopédia livre. http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Projetos/Hist%C3%B3ria_da_ci%C3%AAncia

CONTEÚDOS: Joaquim dos Santos e Silva (1842-1906)

Joaquim dos Santos e Silva

  • Um contributo para a Wikipédia, a enciclopédia livre.

Joaquim dos Santos e Silva (1842-1906). Fonte: Rev. Qum. Pura Apl. 2(1906)117.
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Joaquim dos Santos e Silva (1842-1906). Fonte: Rev. Quím. Pura Apl. 2(1906)117.

Joaquim dos Santos e Silva (1842-1906). Farmacêutico, químico-analista e toxicologista português do Século XIX

Biografia

Farmacêutico pela Universidade de Coimbra. Em 1864, quando ainda era estudante, foi convidado para ajudante dos trabalhos práticos do Laboratório Químico da mesma Universidade. Nos anos lectivos de 1871/72 e 1872/73, foi autorizado a estudar na Alemanha, para se habilitar a dirigir os trabalhos práticos do Laboratório Químico. Estudou primeiro em Göttingen. Depois, terminou os seus estudos trabalhando no laboratório de Kekulé, em Bonn. Aqui obteve o ácido monobromo-canfo-carbónico e os seus sais de bário e prata, sobre os quais publicou uma memória no jornal da Sociedade Química de Berlim. No regresso, em 1873, foi-lhe atribuída a direcção dos trabalhos práticos no laboratório da Universidade de Coimbra. Aí, publicou os Elementos de análise química qualitativa (Coimbra, 1874; reed. 1884) e procedeu a inúmeras análises químicas de águas minerais. Dedicou-se igualmente à química toxicológica, colaborando na realização de análises toxicológicas ou químico-legais ordenadas pelos tribunais da Comarca de Coimbra, entre 1878 e 1899. Em 1892 participou, pelo lado da defesa, na polémica médico-legal do célebre caso de Urbino de Freitas, contra os pareceres do grupo de peritos onde participou António Joaquim Ferreira da Silva. Em 1899 foi nomeado químico analista do Conselho Médico-legal de Coimbra. Em 1902 foi nomeado professor de química legal e sanitária na Escola de Farmácia de Coimbra. Faleceu em 1906.

Bibliografia

  • Anónimo. “Necrologia. Joaquim dos Santos Silva”, Jornal da Sociedade Farmacêutica Lusitana. 13,2(1906)58-60;
  • J. Ferreira da Silva. “Joaquim dos Santos e Silva”, Revista de Química Pura e Aplicada. 2(1906)117-120.

CONTEÚDOS: Academia Médica Portopolitana

Academia Médica Portopolitana

  • Um contributo para a Wikipédia, a enciclopédia livre.

Academia Médica Portopolitana ou Real Academia Médico-Portopolitana. Academia científica fundada em 1749 na cidade do Porto pelo cirurgião Manuel Gomes de Lima (1727-1806). Os primeiros Estatutos foram aprovados pelo irmão do Rei, o Arcebispo D. José de Bragança, protector da Academia. Além de Manuel Gomes de Lima, a Academia contou com a presença de João Mendes Sachetti Barbosa, dirigente do Círculo de Évora, o qual trouxe António Nunes Ribeiro Sanches e Jacob de Castro Sarmento. Em Lisboa, o lugar dirigente foi ocupado pelo médico stahliano José Rodrigues de Abreu.

História

O cirurgião Manuel Gomes de Lima fundou e foi o principal impulsionador, em meados do Século XVIII, de várias academias médico-cirúrgicas na cidade do Porto. Ao todo, num espaço de onze anos, fundou nada menos que quatro academias, mas estas podem ser reduzidas apenas a duas: uma academia cirúrgica e outra médica. A primeira, a Academia Cirúrgica Portuense, funcionou em dois períodos distintos, 1748-1749 e 1759-1764. A segunda, que incluía a Medicina, a Cirurgia e a Farmácia, foi criada em 1749, primeiro com o nome de Academia dos Escondidos e depois com o de Academia Médico-Portopolitana, funcionando até cerca de 1752. A primeira academia fundada no Porto foi a Real Academia Cirúrgico-Proto-Tipo-Lusitânica Portuense, também chamada Academia Cirúrgica Portuense. Os Estatutos foram aprovados a 5 de Setembro de 1748. Gomes de Lima, que já se afastara antes desta data, por incompatibilidade com outros académicos, promoveu de imediato a criação de uma nova academia com médicos, cirurgiões e boticários. Esta iniciou os seus trabalhos em Janeiro de 1749, com a denominação de Academia dos Escondidos da Cidade do Porto ou dos Imitadores da Natureza. Editou o único volume do Zodíaco Lusitano Délfico, correspondente ao mês de Janeiro de 1749, que pretendia ser o primeiro periódico científico em Portugal. Os académicos obtiveram a protecção do irmão do rei e filho natural de D. Pedro II, o Arcebispo e Senhor de Braga. Logo de seguida, a Academia dos Escondidos transformou-se na Academia Médico-Portopolitana. Os primeiros Estatutos foram aprovados em 14 de Abril de 1749. A academia tinha membros distribuídos pelo Porto, Braga, Lisboa, Évora, Brasil e Espanha. Em Janeiro de 1751, os Estatutos ainda foram reformados, mas conflitos internos, a ida de Gomes de Lima para a Universidade de Coimbra, a morte do Arcebispo e de vários membros levaram à sua desagregação. Sendo parte do movimento de renovação intelectual anterior à Reforma Pombalina (1772), a Academia Médico-Portopolitana tomou como bandeira a ciência experimental e as teorias médicas de Hermann Boerhaave contra Aristóteles e Galeno, ainda dominantes no ensino médico. Apesar de todo o seu potencial, os resultados obtidos foram muito reduzidos.

Bibliografia

  • Estatutos da Real Academia Medico-Portopolitana. s.l., 1749.
  • Zodiaco Lusitanico-Delphico. Anatomico, Botanico, Chirurgico, Chymico, Dendrologico, Ictyologico, Lithologico, Medico, Meteorologico, Optico, Ornithologico, Pharmaceutico e Zoologico, Janeiro de 1749. s.l., 1749.
  • Júlio de Lemos. O limianista Doutor Lima Bezerra. Esboço bio-bibliográfico. Coimbra: Tip. Coimbra Editora, 1948.
  • A. Silva Carvalho. O culto de S. Cosme e S. Damião em Portugal e no Brasil. História das sociedades médicas portuguesas. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1928.
  • A. A. Banha de Andrade. “Uma academia luso-espanhola, antes da expulsão dos jesuítas”. Brotéria. 40(1945)619-636.
  • J. P. Sousa Dias. “Equívocos sobre Ciência Moderna nas Academias Médico-Cirúrgicas Portuenses”. Medicamento, História e Sociedade. NS1(1992)2-9.

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